sábado, 21 de abril de 2012

UM VAGÃO NO FIM DA LUZ

Na sexta-feira sai 10 minutos atrasado, e acabei perdendo o ônibus do horário. Rapidamente optei pelo metrô, e lá fui eu. Peguei o "metrô"na superfície e ao chegar na estação fui correndo em direção à plataforma. Ao chegar próximo aos trilhos, percebi que havia uma composição parada na plataforma e andei a passos largos, feliz por ter feito a escolha certa, optar pelo metrô me fez tomar de volta meus 10 minutos de atraso. Então desci a escada correndo, me aproximei do vagão, fui entrando e? E fui barrado por um segurança de dois metros de altura que anunciou: "Esse vagão é só para mulheres!" assim imediatamente corri até outro vagão que por sinal estava cheio de mulheres, mais mulheres que homens e me acomodei em um dos espaços próximo à porta. Fui a viagem inteira pensando como aquele vagão pode desvirtuar toda uma geração. Confesso que fiquei envergonhado como indivíduo social pelo simples fato de aquele vagão existir, melhor, não por ele existir mas por ele estar cheio de mulheres. Se esse exemplo for tomado por outros setores da sociedade, será o que faltava para acreditarmos que somos animais de puro sadismo. Prefiro acreditar que aquele vagão foi idealizado por um homem, porque se foi por uma mulher, corremos um sério risco de um apartheid de gênero. Esse sim, como diria Freud, é um verdadeiro mal estar na civilização. A viagem seguiu de estação em estação com aquela uma voz feminina anunciando as paradas, espero que no vagão sem luz, também seja uma voz feminina, porque presumo que se for masculina vai ter gente reclamando.(risos) Comecei a observar as mulheres e homens que estavam no vagão das pessoas normais, e percebi algumas curiosidades. Durante a viagem, três homem cederam lugar às mulheres, dois diante de um acento vazio deram preferência às mulheres, derrepente entrou uma mulher com uma criança no colo, todos se olharam, e quem ofereceu lugar para a senhora com a criança? Não estou dizendo que este ou aquele gênero é melhor, estou fora desse terreno pantanoso que é a discussão de gênero, mas estou dizendo que é, como vem sendo a anos, desde as sociedades mais ortodoxas, perfeitamente possível a convivência sem essas anormalidades. Porém o mais interessante estava por vir, lembra que eu disse que entrou uma senhora com a criança no colo? Pois bem, foi a maior festa esse bebê sorrindo e um bando de homem babão soltando beijinho pra ela, fazendo careta, rindo, foi uma manifestação de carinho linda com aquele bebezinho simpático, e claro que eu fiz minha caretinha.(risos) A mamãe desceu com seu bebê fanfarrão(risos) uma estação antes de mim, voltei a imaginar como estaria aquele vagão, o vagão no fim da luz, o símbolo do descrédito social. Se existe alguém que acredita na possibilidade de se viver em harmonia, creio que não esteja sentado naquele vagão.


(sem polêmica, olha a liberdade poética hein)(risos)



Forte abraço!!!!

Um comentário:

  1. fiquei impressionada com o fato de existir em pleno rio de janeiro uma situação segregadora e protecionista como esta.Parece coisa do oriente, qdo discriminam e protegem as mulheres tratando-as feito crianças. Se as mulheres são assediadas nos transportes públicos, isto se corrige punindo os culpados e não colocando-as em gaiolas. Tomo isto como uma declaração de que as muheres são incapazes de se proteger e de que os homens são naturalamente os nossos predadores.
    tenho lido diariamente o seu blog, virou o meu jornal diário e o legal é que está sempre surpreendendo, q ótimo observador/avaliador do cotidiano você é...

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