Hoje fui andar de longboarding na orla, mas antes de falar sobre isso, quero falar um pouco dessa energia inexplicável que é a relação entre o carioca e o corpo. Correm, pedalam, andam de skate, de long, de patins, jogam vôlei, futevôlei, Kitesurf, tudo que proporcione um contato direto com a natureza e traga um retorno ao corpo por vezes esquecido no dia-a-dia.
No domingo a prefeitura do Rio fecha a orla para ampliar o espaço de lazer dos viciados em esportes. É inimaginável como as pessoas dividem o espaço com harmonia, por um instante pensei estar vivendo uma utopia, pensei estar vendo ali a concretização de Imagine do Lennon. As crianças brincando, idosos correndo, como se todos fizessem parte da mesma família, é absolutamente agradável estar ali. As frases desculpa, por favor e com licença são usadas com frequência, o lixo é jogado no lixo, é maravilhoso.
Bom, cheguei exatamente as 15:30 à orla, antes de me arriscar sobre o long (foi minha primeira vez sobre um skate)(risos) sentei para respirar essa aura maravilhosa, a sensação de bem estar. Foi a segunda vez que fui à orla e confesso que ainda não havia me sentido parte dessa forma de viver tão gostosa e tão atraente. Mas foi só eu começar a me arriscar(isso mesmo, arriscar)(risos) sobre o long que logo parou um rapaz e perguntou se era a primeira vez que eu estava andando. A princípio não acreditei, era tudo que eu queria, um amigo para me ajudar a andar de long. Eu respondi que sim, e por isso nem subir no meu longboarding system satélite(risos) estava conseguindo. Ele me deu algumas dicas, e meia hora depois estava eu andando de long (ôba!), ele é muito fera, faz manobras e alcança uma velocidade que para mim ainda é muito arriscado(risos). Mas lá fui eu, ouvindo Baiana System, (recomendo) e indo em direção a Ipanema. Estava tão feliz por estar ali, me senti tão bem, os outros praticantes do esporte passavam e me cumprimentavam, eu fazia parte daquele momento, isso é fantástico! Quando cheguei ao fim da praia de Ipanema, sentei e tomei uma água de coco, não satisfeito tomei uma água mineral, a euforia por estar ali era muito grande, eu sentado tomando água e rindo só, eu estava em êxtase. O vento estava soprando forte na direção de Ipanema, então pra voltar não foi nada fácil, seria mais difícil se não fosse por uma banda de metais da França que se apresentava em plena rua, tocando seus bacamartes musicais que de pronto me atingiram em cheio. Obviamente parei para ouvir, a essa altura a rua estava lotada de pessoas e seus brinquedinhos radicais completamente entregues ao som daquele grupo. O nome do grupo é Dumb & Brass, Les Fines Pôlettes, que na quinta-feira estará na Lapa, Teatro Odisséia. Vale muito a pena conferir, eles são irreverentes e tocam muito, fazem solos, desafio entre metais, dançam, pulam, é muito bom.
Depois de filma-los bastante (postarei aqui o vídeo)(risos) peguei meu Long e segui meu caminho de volta ao Leblon. Aos poucos o som agradável dos metais foi ficando pra trás. Voltei a posicionar meu fones ao ouvido e segui meu diálogo difícil com meu long. Cheguei em casa as 19:30 me sentindo tão bem, mas tão bem, que não posso descrever em palavras. A essa altura já era a hora de reabrir a pista para os veículos motorizados, daí vem um carro do trânsito tocando uma sirene e os carros vem atrás, ferozes e barulhentos, é o fim do sonho, o fechamento do portal harmônico que só se abrirá novamente no domingo que vem, e eu estarei lá.
Desculpa pelo palavrão no vídeo, foi a emoção(risos).
Forte abraço!!
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