sábado, 30 de junho de 2012

O CONTRA, O ENCONTRO, A CONTRAÇÃO

Olho todos os dias e lá está ela, linda, as vezes serena, em outras agitada, mas sempre lá. A Lagoa Rodrigo de Freitas poderia facilmente ser chamada de "satélite"Rodrigo de Freitas. Basta uma volta por  sua curvas para não querer parar mais, são múltiplos cenários em um mesmo lugar, e a cada volta os cenários mudam, as pessoas mudam, é impressionante. Ficamos todos girando em sua órbita como se nunca mais fossemos conseguir sair. Por lá o tempo passa em outra lógica Física, passa rápido mas tudo está tranquilo, é o paradoxo temporal, é a abdução do estar ali. Então vamos dar uma volta na Lagoa, agora são 14:25, pego meu skate e começo a andar a partir do Corte do Cantagalo (olha no Google :) dentro da Lagoa pessoas fazem wakeboard, e na ciclovia, o espaço mais democrático possível se apresentava. Como sempre crianças, idosos, atletas profissionais, amadores, e skatistas aprendizes, (EU)  trafegam juntos com o mesmo objetivo, apreciar o sol refletindo no céu carioca, de olho no Cristo lá no alto dando um tom todo especial ao cenário. Nos primeiros 100m me deparo com uma galera jogando futebol americano. Era um grupo de coreanos e brasileiros devidamente uniformizados, e eu obviamente parei para apreciar o jogo, mesmo sem intender nada. Ali fiquei por cinco minutos e segui viagem. Entre uma manobrinha e outra, aquela paradinha em cima do skate para olhar a lagoa. Em um píer pessoas alugavam pedalinhos, do outro lado pessoas alugando bikes de todos os tipos, e eu desviando de uma pessoas aqui e outra acolá, seguia meu caminho. Olha que legal, pessoas fazendo piquenique, muito interessante a toalha colorida estendida na grama, pessoas comendo e reverenciado a bela tarde de sol. A sensação de bem-estar é aconchegante, as pessoas com sorriso no rosto, registrando com suas câmeras de congelar o tempo tudo à sua volta. E lá fui eu em meu skate foguete em órbita da lagoa, quando vi uma barraquinha vendendo água de coco, resolvi parar, e comecei a saborear uma deliciosa água de coco. Me perguntei porque não sai com um bom livro, estava em baixo de uma linda árvore, em um clima super gostoso e me faltou um bom livro. Saquei meu smartphone e ops! comecei a ler alguns poemas escolhidos de Drummond, só tive a noção do tempo que estive ali, porque uma pessoa que havia passado caminhando, estava passando outra vez. Ou seja, a lagoa tem 10km de borda, uma pessoas caminhando deu uma volta, então eu tinha um bom tempo ali apreciando só um coco gelado, poemas de primeira e uma vista que ofusca os sentidos de qualquer um que saiba absorver o belo. Então segui viagem, a cada curva uma novidade, um obstáculo também, e uma aventura gostosa de estar ali. Depois de completar uma volta, me sentei para escrever esse texto. Uma volta na lagoa lhe permite passar pelo parque dos cachorros, parque dos patins, clube do Flamengo, Vasco, Joquei, e um monte de restaurantes, bares, estações de malhação, etc.
Em suma, quem mora no Rio com essa Lagoa e todas as outras cositas, só não lava o pé se não quiser.


Forte abraço!





domingo, 24 de junho de 2012

MUDANÇAS DA SILVA

Lembro com muito gosto do modo como ela se referia à ele… assim escreveu Caetano Veloso certa vez se referindo à postura de sua mãe ao ver Gilberto Gil na TV. A descrição que ele faz do fato é de uma minúcia tão precisa, que nos faz viajar para aquele momento. A atenção aos detalhes, a percepção de cada gesto, cada palavra e cada olhar faz toda diferença independente da situação. Você deve estar se perguntando o porque de esse post se chamar "MUDANÇAS DA SILVA" eu vou explicar. O termo é de autoria de uma pessoa que admiro muito, e que, não por acaso, sento bem próximo dela todos os dias. Mudanças da Silva são mudanças pequenas que fazem toda diferença no todo. São mudanças que exigem uma percepção bastante apurada do todo. Faço todos os dias esse exercício, ver as coisas sem a névoa da acomodação, e fico impressionado como é possível ver coisas que passam desapercebidas à maioria dos olhares que já se acostumaram com a paisagem. A pessoa que criou esse termo tem vários outros termos interessantes. Por exemplo, ela diz que as vezes onde tem um fio de cabelo, se você puxar vem uma peruca, e várias outras frases engraçadas mas bastante ilustrativas. Um amigo me mostrou certa vez um livro chamado "As 48 Leis do Poder" e uma dessas "leis" ficou fixa em minha cabeça, exatamente a 1ª "Não ofusque o brilho do mestre" não sei a explicação da lei, mas vou me apropriar dela pra dizer que reconhecer o mestre é o primeiro passo para um dia vir a se tornar um. Não estou falando de submissão ou coisas do tipo, estou falando de perceber sobre a cabeça do mestre uma aura do saber. Na Psicanálise se diz Sujeito Suposto Saber (SSS), claro em que em outra ótica. Eu sei que estou muito feliz, gosto de ver como os mestres agem, como fazem negócio, como cobram agilidade, como se vestem, quais suas expressões faciais frente a um problema etc. E assim vou eu, fazendo minhas mudanças da silva tanto no meu ambiente de trabalho, quanto em minha vida por inteiro!


Forte abraço!

terça-feira, 19 de junho de 2012

ELUCUBRAÇÕES NO ESCURO

São exatamente 00:32 de amanhã, ou seja, hoje já é amanhã. É meio intelectível isso, fere as leis da física eu sei, mas o fato é que escrever trêbado de sono faz sair este tanto de besteira que estou escrevendo. O que posso dizer é que está sendo super divertido. Ah! Acabo de lembrar que no Rio+20 não tem lugar pra guardar bikes, paradoxal ao extremo não é? Há dez minutos atrás estava em um grupo de discussão no Linkedin onde falávamos de uma série de coisas e uma delas me chamou a atenção. Estou falando do tema INGLÊS, como as pessoas debatem sobre o Inglês em uma perspectiva alucinógena, se e somente se. Ah! Hoje li bastante Fernando Pessoa, que delícia... O poeta é um fingidor... bradava ele aos quatro ventos... as pessoas que nunca escreveram cartas de amor é que são ridículas...falava para os moços da mesa ao lado... Não conheço ninguém que já tenha levado porrada... reclamava aos ouvidos, buscava encontrar alguém de carne e osso em sua volta. Quase falei que ele buscava alguém humano, mas desde Nietzsche pra cá tomo o termo humano como algo pejorativo. Então agora brado eu, chega de falar recursos humanos, agora falaremos aos berros que são Recursos para Pessoas. Reivindico a nomenclatura do setor pessoal para o RH. Chega, agora vou dormir... Não dá mais pra segurar, o amor comeu metros e metros de minhas energias... viva João Cabral de Melo Neto... que seja infinito enquanto dure... viva Vinícius de Morais... nossa é São João no Nordeste... eita festa boa... aqui no Rio? cri, cri, cri! Amanhã falo da minha vontade de dançar forró em um post especial... agora vou dormir, trás a ideira! a de jair... vou baixar o cabelo, vazar na braquiara, sair pela tangente, sair de fininho, pular fora, descer a ladeira, beirar o muro, escapulir... plagiando muçunsis... fuizes!




Forte abraço!

sábado, 16 de junho de 2012

VIDA QUE SEGUE

Faz algum tempo que não escrevo aqui neste "bloco de notas" chamado Pépinière, mas cá estou eu pronto para atirar com meu bacamarte de palavras outra vez. Tenho um monte de coisas a dizer e vou começar falando de como as coisas estão tomando forma em mim, de como o Rio me impulsiona pra frente e principalmente, contrariando a fala de alguns, não deixei de estar deslumbrado com a cidade, a verdade é que cada dia me sinto parte desse todo. Um exemplo legal disso foi ontem quando voltei do Rio+20, onde o Diretor de RH da L'Oréal Brasil foi convidado a falar um pouco sobre o Green Job(fica para o próximo texto). Cheguei em casa, peguei meu skate e parti para a orla, fui dar aquele gostoso passeio pela orla e me dei conta de que o que via com olhos apaixonados estando de fora, agora faz parte de meu dia-a-dia. Passavam pessoas na orla vindos do Rio+20 e dirigiam seu olhar para minhas manobras de skate. Minha ficha caiu na hora, pensei: agora posso influenciar pessoas a andarem de skate, de patins, etc. isso é fantástico. Outra coisa é sobre a experiência de ser trainee. Não sei dizer se é comum ao menos a maioria dos que passam por essa posição, mas eu estou me redescobrindo a cada dia, firmando meu potencial, me angustiando e transformando essa angústia em energia para fazer mais, estou, como disse sabiamente o Jean Piaget, em um processo de "equilibração" na busca da batida perfeita. A verdade é que sempre que penso no que estou vivendo vem esse trecho de poema em minha cabeça, não entendo o porque, mas esse poema do Alberto Caeiro (Fernando Pessoa) chamado (O Mistério das Cousas), ressoa em minha cabeça quando estou triste, quando estou feliz, sempre ele vem. Finalizo compartilhando com vocês. 


Metafísica? Que metafísica têm aquelas árvores? 
A de serem verdes e copadas e de terem ramos 
E a de dar fruto na sua hora, o que não nos faz pensar, 
A nós, que não sabemos dar por elas. 
Mas que melhor metafísica que a delas, 
Que é a de não saber para que vivem 
Nem saber o que não sabem?  



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Fui a alguns eventos legais esses dias, logo mais postarei aqui minhas impressões. Fui ao BMW JAZZ FESTIVAL e ao FESTIVAL DE MÚSICA [SANTA MÚSICA].

Aguardem!!!


Forte abraço




sábado, 9 de junho de 2012

[CONVIDADOS] UM PÉ NO PALCO



E um convite me foi feito: escrecer neste pequeno espaço de pensamentos, cultura, devaneios e um pouco de cada dia.

Antes, a dúvida: sobre o que escrever?

Mas, como o Gato diz para Alice "se não sabe para onde ir, qualquer caminho é certo", ou algo do tipo. Assim decidi buscar meu caminho e, a partir daí, deixar os dedos me levarem... vamos ver no que dá.

O momento onde sou inteiramente eu é quando estou no palco. É quando danço. É quando sou artista. O resto é artificial, é efêmero, escorre por entre os dedos... Não há nada melhor do que fazer o que se gosta, de se sentir inteiro, realizado. É engraçado ver como o mundo - em seu capitalismo oculto - nos convida a vivermos pelo/para o dinheiro, onde esquecemo-nos  e damos valor a o que é passageiro.

Feliz aquele que está realizado, mas realizado de verdade, que dorme sem o peso de ter que passar o dia fingindo ser aquilo que os outros querem que seja...

Mas, alguns podem me pergunta: já que me faço completo quando estou no palco, quem sou eu quando estou fora dele? Sou a busca, a essência, o insatisfeito, o incasável... buscando sempre - de todos os modos - ser eu, e assim, mudar o mundo, ou não todo o mundo, mas apenas um pouco a minha volta.

E é isso que busco. E muitas vezes o resultado está por aí, invisível aos meus olhos, longe de ser por mim palpável, mas que por vezes encontro ao acaso.

Mas, agora é minha vez, eu é quem pergunto: e você? está completo, está transformando o mundo, ou só um pouco a sua volta? Pense nisso.

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Tarcísio Cunha: Baiano, bailarino clássico, professor de ballet clássico pra iniciantes, coreógrafo, formado em comunicação digital, aprendiz a webdesign e um apaixonado por fotos (um futuro fotógrafo, talvez).