Hoje amanheceu um dia lindo, como são geralmente os dias no Rio. Sol ameno incidindo sobre a surpreendente Mata Atlantica que envolve a cidade, pintada de um verde unico que parece desafiar o tempo a civilizacao e os olhares menos atentos. Depois de descer os 7 andares que me separavam do solo firme, saindo do elevador encontro o jardineiro, agachado em um canteiro cheio de vida. Ele assobiava brasileirinho com a expertise de um sabiá da flotesta, era como se aquele gesto estivesse direcionado ás flores do jardim, ás formiguimhas, á terra molhada e ao tempo. Eu caminhava lento, queria ver mais daquela relacao de troca mutua. O jardineiro tem a sublime tarefa de fazer acontecer a vida em seu tempo, e para que hajam flores lindas nada mais pode fazer que regar e por o adubo ali. Ele acredita estar dando as ferrentas necessárias para um desenvolvimento saudavel em seu tempo, sem empura-las ou coagi-las, ele apenas quer velas brilhar em cores, mesmo sabendo que nao sairá nas fotos.
Escrito no metro do Rio entre as estações Cantagalo e Uruguaiana. Em 02-08-2012