domingo, 27 de maio de 2012

PALÁCIO DO CATETE

Outro dia conversando com Isa, uma pessoa super legal e que vai me dar aulas de Francês, fui anotando em meu caderno de descobertas as indicações dela. Ela disse que eu tinha que visitar o Palácio do Catete, que eu não poderia perder, e que eu iria gostar muito do lugar. Então lá fui eu rumo ao desconhecido Museu da República. Isso mesmo, hoje o Palácio abriga diversas relíquias dos primórdios deste nosso jovem País. Bom, peguei o metrô até a Estação Catete, cuja saída fica ao lado do Palácio. Eram mais ou menos 17h's e o dia se findava com céu azul e clima ameno. Então lá fui eu na direção do imenso portal de ferro que recepciona quem chega, como se anunciasse a grandiosidade do que daquele ponto em diante seria possível apreciar. A entrada custa R$6,00 mas às quartas e domingos a entrada é franca. E lá fui eu para dentro da História, e logo na primeira sala me arrepiei, mergulhei naquele lugar como se por um instante pretendesse voltar no tempo, aquela sala com um lustre belíssimo, inacreditável que aqueles lustres possam existir, são colossais, babilônicos, sei lá o que posso dizer, são indizíveis. As paredes são belas nos detalhes, são minuciosamente lindas, desenhadas, com desenhos que lembram que ali estiveram os grandes barões da política brasileira. O que achei mais emocionante foi o fato de o Palácio estar vazio, não haviam pessoas visitando, estava praticamente só ali e senti o misto de medo, aventura, felicidade e sorte. Andava a passos curtos, olhando para todos os lados como se quisesse apreender todos os detalhes sem perder nada. Uma coisa não saia da minha cabeça, Isa disse que lá eu iria encontrar a camisa suja de sangue, a arma e a bala que Getúlio Vargas usou para suicidar. Exato, Getúlio morou lá no Palácio e lá cometeu suicídio. Então depois de passar pela sala onde era decidido o rumo do País, com cadernetas sobre a mesa, tudo muito bem conservado, e no lugar onde sempre esteve, fui para o andar de cima, fui em direção ao quarto de Getúlio. Foi emocionante quando entrei no quarto, logo na entrada uma carta escrita pela esposa do Getúlio, segundo pessoas do museu a carta foi escrita um dia antes da morte dele. Lá estava a cama dele a camisa com o buraco feito pela bala, à altura do lado esquerdo do peito, a bala e o revolver utilizado para o fato que marcaria para sempre a política brasileira. Uma tela mostrando cenas dele com a narração da carta que ele deixou. A luz do quarto é bem baixa para não incidir sobre os objetos e estragá-los. Demorei para sair do quarto, fiquei parado diante de tudo aquilo meio que fora de órbita, tentava pensar o momento da história que me fez estar ali tão perplexo. Saí do quarto e dei uma respirada para seguir em frente. Fui ver a exposição de objetos do acervo, canetas de pena banhadas a ouro, leques, porta jóias impressionantes, placas e medalhas de homenagens, sem palavras. Cheguei à parte com material e informações sobre a ditadura, eu particularmente sempre me emociono e me revolto quando estudo e leio os acontecimentos do período mais triste da nossa história, imagina ver todo aquele material, depoimentos, ver as pessoas que desapareceram e saber que todos os assassinos foram perdoados, é revoltante. Passei bem rápido por esta lugar, e fui em direção a saída. O Palácio já estava fechado e tive que sair pelos fundos, onde se tem acesso ao imenso e colossal jardim, com palmeiras imperiais lindas e gigantes. Foi um momento especial em minha vida, nunca vou esquecer e tenho o pressentimento de que voltarei com mais calma para ver mais detalhes. Não posso deixar de dizer como o Catete é lindo, um bairro cheio de prédios antigos, ruas movimentadas, pessoas pela rua, praças lotadas, um clima super agradável. Engraçado é que quando desembarquei na estação vindo de volta pra casa e vi o metro indo embora pensei: saio do metrô para sair da história.


Forte abraço!




4 comentários:

  1. Negão muito bom o texto. Realmente história é fascinante, já anotei o Palácio do Catete na minha agenda de lugares a ser visitado no Rio. Continue nos apresentando o Rio de forma despretenciosa. Daiany Ribeiro

    ResponderExcluir
  2. Que bom que gostou Day. Venha mesmo você vai adorar. :)

    ResponderExcluir
  3. Adorei o texto e a sua sensibilidade! Sua curiosidade ainda vai te levar muito longe! Parabéns. Um beijo, e até a nossa "classe" ! Isa.

    ResponderExcluir