Ontem fui ao tradicional bairro de Santa Teresa, lá no alto da ladeira, que subi de kombi. O acesso ao bairro era feito pelos lindos e tradicionais bondinhos, que infelizmente não circulam mais por conta de um acidente ocorrido há um tempo atrás. Fiquei muito triste por não subir de bondinho, sei que seria uma experiência única. Mas lá fui eu e professora Simone, subindo a ladeira enquanto a pro já conversava com uma senhora que estava ao lado. Conversavam sobre os restaurantes, a situação dos bondes e sobre os pontos a serem visitados no bairro. Fomos a um lindo e pitoresco restaurante chamado Santa Arte, e lá pedimos uma Heineken devidamente gelada. O restaurante tinha trombones antigos, esculturas e paredes de pedra. Fomos atendidos por uma garota espanhola, que também tirou uma foto minha e da pro Simone sob o aviso de que caso a foto ficasse ruim não pagaríamos a conta. Pedimos o almoço e ficamos contemplando as belas paredes e objetos do restaurante. Depois de comer, saímos para conhecer o bairro. É impressionante que mesmo sem os bondinhos, os trilhos no chão já dão um aspecto nostálgico, dão um toque especial às ruas de pedra. Caminhamos bastante, subimos e descemos ladeiras na esperança de descobrir algo escondido por entre as casas do século passado. É comum estar em um lugar e ninguém falar português, é uma verdadeira salada linguística. Continuamos a caminhar enquanto éramos seguidos pelos trilhos do bonde, a cada passo lá estavam eles, recusando-se a sair, resistindo ao tempo e espaço. Nosso objetivo era chegar a um local bem propício a uma foto do rio, já que o bairro é no alto. Mas logo vimos uma placa onde se lia: Museu da Ruína, Mirante Chácara do Céu. Então lá fomos nós conhecer, não poderíamos perder essa oportunidade. Lá estava acontecendo para nossa surpresa, a feira de literatura de Santa Teresa, em um espaço muito bacana, com crianças brincando, pessoas curtindo a vista, e casais namorando apaixonadamente em um lugar apaixonante. Passamos por uma mesa onde era possível assinar um abaixo assinado pela volta do bondinho, e lá deixei minha assinatura. Fomos ao Museu da Ruína, uma casa imensa que por muito tempo foi o ponto de encontro de intelectuais no Rio de Janeiro. Por dentro da casa foram estaladas escadas de metal que dão acesso a todos os andares da casa. Tiramos foto em todos os andares, e a cada degrau subido, a paisagem nos brindava com sua beleza. De um lado, o Aterro do Flamengo, Copacabana e o Pão de Açúcar, do outro os arcos da Lapa e o centro antigo. Já era cinco da tarde quando a lua começou a aparecer, uma lua imensa que todos olhavam bestializados. Era chegada a hora de partir, pois pro Simone estava de viagem marcada para as 21h, então lá fomos nós, de volta para o futuro, pro Simone só dizia que o tempo ficou curto, que ela queria ter mais tempo para aproveitar aquele momento. Descemos para Glória andando, por uma escada pitoresca entre casas antigas e vilas. Chegamos a estação Glória e partimos, mas o sentimento de completude era notório, estávamos felizes por ter a oportunidade de estar ali, do alto de Santa Teresa, no topo da história do Rio.
Forte abraço!
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