domingo, 6 de maio de 2012

NOS ARCOS DA LAPA, NOS BRAÇOS DO TEMPO.

Na sexta-feira fui à Lapa, como não sabia onde ficava sai perguntando pela rua. A primeira pessoa me disse que a melhor estação do metrô para chegar à Lapa seria a estação Uruguaiana, outro me  disse que daria pra ir a pé, e no fim das contas fui de taxi. Só na volta percebi que a estação Cinelândia é a estação correta para chegar à Lapa tranquilamente, mas enfim, cheguei ao meu destino  em paz. Muitas pessoas já haviam me falado sobre as atrações de lá, no entanto esqueceram de me falar algumas coisas muito importantes. Esqueceram de me dizer por exemplo que os arcos são a história viva, que eles falam, gritam, dão o aviso claro e limpo aos que perto chegam de que dali pra frente basta sentir e nada mais. Confesso que não imaginava que eram tão bonitos, quando desci do taxi e olhei aquela obra de arte fiquei parado como se quisesse ver as pessoas andando pela rua de chapéus e vestidos em um Rio colonial. Não me falaram que, Machado de Assis, Carmem Miranda, Manuel Bandeira, Jorge Amado e Villa-Lobos moraram na Lapa. Não é o chopp que define a Lapa, mas é a Lapa que define o chopp. Não são os lindos casarões que definem as ruas, mas sim olhos atentos de um observador apaixonado pelo contorno de suas eiras, beiras e tribeiras. Depois de registrar os arcos, fui entrando bem devagar nas ruas da Lapa, vários botecos, lindos, cheios de histórias, pessoas, e mais histórias. Como fui cedo as ruas ainda estavam vazias, mas nos botecos não dava para encontrar um só lugar. Fui caminhando vendo os prédios, vendo as pessoas pelas ruas, muitos estilos, uma galera alternativa, dando ainda mais sabor àquele lugar especial. A certa altura encontrei uma mesa vazia, no meio da multidão, em um salto certeiro abracei a mesa e gritei, Chopp!! O nome do boteco é Antonio's, e logo chegou o chopp bem gelado acompanhado de um bolinho de bacalhau travesso. Lá fiquei vendo o movimento da rua, logo percebi que a prefeitura, assim como faz na orla nos finais de semana e feriados, fechou a rua, que imediatamente foi tomada pelas pessoas, e começaram a aparecer os artistas de rua.  De repente vejo um barulho de latas, um batuque desordenado e continuo, imediatamente pedi a conta, pois um batuque desordenado é sinal de coisa boa chegando. Pois bem, acertei, lá vinham vários jovens anarquistas, batendo em latas da Cargill e vestidos de noiva, dançando, caindo pelo chão, bebendo, e com uma faixa onde se lia: Movimento contra o aumento das passagens. Eu comecei a seguir o grupo e ver a performance dos estudantes vestidos de noiva, um jogando tinta amarela no outro, e a essa altura as latas já estavam no chão sendo chutadas, vez ou outra alguém que estava olhando dava seu chutinho revolucionário nas latas como se quisessem fazer parte daquele momento. Como a caminhada vinha na direção dos arcos, apontei meu bacamarte na direção de casa, fui a estação do metro, e enquanto caminhava na direção das composições sobre trilhos pensava, vou ali mas volto já.



Forte abraço! 

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