quarta-feira, 2 de maio de 2012

PHOTO-CHOPP


Os objetos ganham formas variadas dependendo do ângulo do observador e as cores são a combinação luz e sombra na superfície do objeto. Isso que acabei de dizer versa sobre conceitos da Física do saudoso Einstein e seus pares. Aqui me atrevo a inserir um elemento importante na forma em que as pessoas enxergam as coisas, o "Photo-Chopp", que muda as de figuras de acordo com a embriaguez  subjetiva. Nos acostumamos a mudar a imagem das pessoas a nossa revelia, fazer das imagens o que esperamos dela, e assim deixamos de ver o que ela realmente é. Esse não é um texto de protesto, se trata de minha embriagada percepção do dia-a-dia, dos tempos onde o PhotoShop dita a moda, e diz como as pessoas devem ser em suas curvas e formas. Mas que embriaguez é essa que muda as formas vistas a ponto de torná-la imaginariamente real ao observador? Não me atreverei a adentrar a essa discussão sociológica por presumir que você já saiba o nome que se dá a esse tipo de comportamento. O importante é saber que do todo que se vê mais da metade é material de quem observa a cena à sua frente. O estopim para esse texto veio de observações que fiz hoje no metrô. Lá havia um bêbado fazendo pose, viajando em sua viagem enquanto viajava no metrô, dando risada, piscando olho para as mulheres e se sentindo um verdadeiro galã de Hollywood. Eu o via como um personagem ilustre dos quadrinhos cotidianos, com seus cabelos crespos e devidamente embaraçados, um bigode de gênio da lâmpada, uma mala de cacheiro viajante e um sorriso maroto e fagueiro de moleque travesso. Eu estava com fones no ouvido, ouvia o novo CD do Zeca Baleiro(2012) humildemente batizado de "O disco do ano". A música ilustrava brilhantemente o momento, era a trilha sonora perfeita para aquele momento inusitado e cheio de material para eu chegar a toda essa viagem. Obviamente não sei o que as outras pessoas pensavam, qual o nível de photo-chopp que eles estavam usando em suas percepções, mas eu juro que estava torcendo para ele começar a cantar uma cantiga dos tempos de outrora, queria eu abdicar dos meus fones e passar a ouvir sua cação embriagada de pinga e ternura. Deixamos de aproveitar as idiossincrasias, a beleza sem pré-juizo, sem artimanhas segregadoras,  e em suma, sem Photo-chopp. Que há beleza na diversidade já sabemos, mas o que será da diversidade se não a reconhecermos enquanto essência agregadora de valor? Tudo isso vai depender de quantos copos de photo-chopp tomamos antes de sair por aí a caminhar na rede de pontos e nós que se entrelaçam na tentativa de gerar algo que se some positivamente ao todo. 







Forte abraço!

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